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sexta-feira, 27 de março de 2015

SÓ 7% DOS PROFESSORES PASSAM EM CERTIFICAÇÃO DO MEC PARA O ENSINO DE SURDOS.

Essa matéria me lembrou demais deste post, sobre o livro “A child sacrificed to the deaf culture’. O autor falava sobre a total falta de preparo de muitos professores surdos, que dominavam um nível básico/intermediário de língua de sinais e eram responsáveis pela educação de centenas de crianças surdas em escolas especiais. Para pensar. E me perdoem, mas reclamar do nível de dificuldade da prova não é desculpa alguma – isso serve para separar o joio do trigo.

Dos 2.427 candidatos que se submeteram à edição mais recente do Exame Nacional de Certificação em Libras, o Prolibras 2013, somente 164 (menos de 7%) foram aprovados na modalidade voltada a certificar professores ao ensino da Linguagem Brasileira de Sinais. É por meio dessa certificação oficial avalizada pelo Ministério da Educação (MEC) que muitas secretarias de educação e instituições de ensino superior selecionam professores para atuarem em turmas que contam com alunos surdos. Além da certificação para o ensino da Libras, o Prolibras também oferece uma certificação em proficiência na tradução e interpretação da Libras. Nessa modalidade, o índice de aprovados também é pequeno. Em 2013, dos 2.627 que compareceram para realização das provas, apenas 242 (9%) foram aprovados no final do processo.

O baixo número de candidatos aprovados no exame impacta ainda mais no déficit de profissionais com habilidades comprovadas no ensino da Libras nas escolas brasileiras, especialmente as da rede pública. Hoje, nem todos os professores que dão aula para alunos surdos dominam as Libras. As escolas também sofrem com a falta de intépretes em turmas onda há a presença de estudante com algum tipo de deficiência auditiva. É com o Prolibras que gestores públicos e instituições de ensino ficam cientes que o candidato, de fato, domina a Libras. Muitos concursos públicos voltados para a contratação de professor ou intérprete dispensam, inclusive, o teste prático que analisaria o domínio dessa linguagem daquele candidato que já possui o Prolibras. Outras seleções públicas exigem que o candidato, além de ter o curso de pedagogia ou licenciatura com foco em Libras, também apresente o Prolibras.

Além da educação básica, concursos para preenchimento de vaga de professor de libras nas universidades e institutos federais também veem exigindo a apresentação do Prolibras. Mesmo para aqueles postulantes que tenham se formado, por exemplo, em cursos de licenciatura com componentes curriculares em Libras. “Há universidades que criaram um curso específico em licenciatura em libras. Mas o fato de fazer a licenciatura em libras não significa que o estudante acabe o curso sabendo se comunicar em libras. É como ocorre hoje com os formados em licenciatura em inglês. Quem acaba essa graduação, nem sempre sai falando bem o inglês”, afirma Maria Cristina Marquezine, professora da Universidade Estadual de Londrina, especialista em Educação Especial.

Cientes da exigência do Prolibras nos concursos das universidades, muitos candidatos que já possuem diploma de nível superior se submetem ao exame. E mesmo se preparando com cursos de formação privados ou concedidos pelo poder público, eles esbarram na dificuldade do exame. Nessa última edição, até mesmo a equipe técnica que coordenou o exame assume que a primeira etapa do Prolibras, que conta com uma prova objetiva, foi “bem mais seletiva que a primeira etapa dos exames anteriores”, afirma relatório técnico do exame. “Ainda que preliminarmente, esse fato nos permite inferir que o grau de dificuldade da primeira etapa necessita ser revisto para os próximos exames”, cita o documento emitido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que organiza o exame, em parceria com Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

A dificuldade do exame foi sentida na pele pelo professor mineiro Rosselini Diniz, de 26 anos. Desde 2009 ele vinha estudando para o exame. Só conseguiu passar na segunda tentativa. “Essa última achei bem difícil. Especialmente a primeira etapa. O tipo de pergunta exigia muito raciocínio”, fala Diniz. Segundo ele, no entanto, o nível de dificuldade ajuda a selecionar os bons profissionais. “Apesar de difícil, ela exige o que o profissional de Libras precisa ter. Atualmente, muitos profissionais não conseguem dar conta do trabalho, o que prejudica os alunos que precisam ter um professor que possa falar a língua deles”, diz o professor mineiro.

A falta de domínio de Libras é uma situação presente até em escolas especializadas para o ensino de surdos. Recentemente, por exemplo, parte dos professores do INES entrou em greve. Um dos motivos alegados pelos docentes para a manifestação era a falta de domínio que eles tinham com as Libras. Questionado sobre o nível de dificuldade do exame, o INES informa “que esse tipo de exame, como qualquer exame de proficiência com perspectiva qualitativa e não quantitativa, serve de balizador para os cursos de Libras que têm sido oferecidos em todo o País”. O instituto informa que a partir dessa última edição “houve uma reformulação das provas (objetiva e prática), no intuito de atualizar tanto as formulações das questões como de seus conteúdos para o exercício das respectivas profissões”.

Também foram consultados pela reportagem o Ministério da Educação (MEC), responsável pelo plano anual de execução do exame, e o INEP, responsável pela metodologia de avaliação do Prolibras. O INEP diz que o País tem 2.083 professores que atuam no componente curricular libras nas escolas de educação básica. O Governo Federal não informou quantos professores o Brasil ainda precisaria ter para atender a oferta de alunos surdos nas escolas públicas. No País, existem cerca de 800 mil pessoas com até 17 anos – em idade escolar – que são surdos ou possuem algum tipo de deficiência auditiva.

Fonte: Último Segundo

Saiba como ouvir música sem destruir a sua audição!

A perda auditiva é praticamente uma epidemia entre os jovens de países de renda média e alta – e está ficando cada vez pior, não melhor. A Organização Mundial da Saúde disse semana passada que 1.1 bilhão de pessoas com idade entre 12 e 35 anos escutam música em dispositivos de áudio pessoais com volumes não-seguros, correndo o risco de ter perda auditiva permanente. Pior, as pessoas que têm perda auditiva não procuram ajuda rápido o suficiente e não reconhecem que o seu comportamento as coloca em risco.

A proliferação dos smartphones, que oferecem fácil acesso à apps para ouvir música e geralmente já vêm com fones de ouvido, coincide com as estatísticas cada vez mais altas de perda auditiva. Não há nenhuma dúvida da relação entre as duas coisas. “Todos têm algo em seus ouvidos ultimamente. A exposição constante está definitivamente causando um aumento nas estatísticas de perda auditiva“, diz a Dra. Diane Catalano, audiologista clínica no Duke University Medical Center. Anna Gilmore Hall, diretora executiva da Hearing Loss Association of America concordou, adicionando que as pessoas estão vivenciando a perda auditiva severa muito mais cedo hoje em dia.

Abaixo, algumas medidas simples que você pode tomar para se proteger da perda auditiva permanente induzida por ruído:

Tenha fones de ouvido que se ajustem perfeitamente em seus ouvidos

86% dos consumidores americanos com idade entre 25-34 anos tinham smartphones em 2014, de acordo com pesquisa recente da Nielsen. Eles também estão nos bolsos de 85% das pessoas com idade entre 18-24 anos. São muitos telefones! O problema é que os fones de ouvido que vêm com esses telefones não foram feitos para servir perfeitamente nos seus ouvidos, o que significa que eles deixam entrar muito ruído ambiente. As pessoas tendem a aumentar o volume para compensar isso, diz a Dra. Catalano.

É imperativo que seus fones de ouvido se encaixem corretamente nos seus ouvidos, por isso você deve testar diferentes tipos antes de comprar. Eles devem caber confortavelmente e isolar o som. Os melhores vêm com alguns tamanhos diferentes de ponta, assim você pode escolher o que melhor se adapta ao seu ouvido. Não existe isso de ‘tamanho único’. Também é possível conseguir um fone de ouvido personalizado, mas tenha cuidado para não empurrá-los demais para dentro. O mesmo vale para fones de ouvido que tapam as orelhas: eles devem cobri-las completamente e bloquear o som do ruído ambiente.

Dê um descanso para os seus ouvidos

A Organização Mundial de Saúde recomenda que os jovens se limitem a uma hora por dia escutando música em smartphones e afins. “Você não deve se expor a mais de 80dB por mais de 1 hora”, diz a Dra. Hall. “Dê um descanso a si mesmo e deixe seus ouvidos se recuperarem”. 80dB é o equivalente ao barulho do tráfego nas cidades ou ao caminhão do lixo. Após várias horas, esse nível de ruído pode prejudicar seus ouvidos. Leve isso em consideração a próxima vez em que decidir colocar o volume dos seus fones nas alturas.

Diminua o volume do seu smartphone

Os smartphones geralmente não fazem um bom trabalho lhe dizendo que você está ouvindo música em volumes perigosos. Em iPhone’s, Dra. Catalano diz para não usar mais do que dois terços do volume disponível. Em 2013, a União Européia estabeleceu um limite de volume para dispositivos de áudio pessoais – incluindo smartphones – limitando a 85dB. A regra mandava que apps como Spotify avisassem quando os usuários ultrapassassem esse limite. Isso não é exigido nos Estados Unidos, mas muitos telefones Android incluem um aviso quando você aumenta o volume para um nível perigoso. Já os iPhones permitem que você estabeleça um limite de volume nas configurações.

Tenha protetores de ouvido

Mesmo quando você não está ouvindo música com fones de ouvido, sua audição ainda pode estar sendo prejudicada. Shows de rock, bares barulhentos, eventos esportivos, metrô, engarrafamentos e construções são ambientes de risco. Considere usar protetores de ouvido se você sabe que estará num ambiente barulhento assim por um longo período de tempo.

Lição importante: nunca empurre nada muito fundo dentro do seu ouvido. Fazer isso pode causar vários problemas, inclusive perda auditiva.

Faça uma audiometria

Você sabe que não deve ouvir música alta. Você sabe que deve usar protetores de ouvido. Agora você precisa se certificar que sua audição continua saudável. As doutoras Catalano e Hall dizem que as pessoas devem monitorar sua audição fazendo audiometrias.

Adultos devem tentar fazer um teste a cada 5 ou 10 anos, de acordo com a Dra. Catalano. Ela também diz que muitas pessoas descobrem que estão com perda auditiva mas esperam anos até que ela piore antes de fazer algo a respeito. Como ela disse para o Huffington Post: “Quanto mais cedo buscar ajuda, melhor!“

Fonte: Huffington Post.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Este retiro tem com objetivo unir os intérpretes do Rio Grande do Sul e Brasil.







Teremos ministrações especiais nos dias do retiro.
Ministrações que serão inspiradoras para nossa vida.








FORMAS DE PAGAMENTO PARA O RETIRO.









Eventos/ Notícias Perspectivas de Novos Olhares pela Comunidade Universitária – segunda edição –“

O evento “Uma Viagem ao Mundo da Libras(1) - Perspectivas de Novos Olhares pela Comunidade Universitária – segunda edição –“ em comemoração aos 13 anos de oficialização da Libras – Língua Brasileira de Sinais, no dia 24 de abril de 2015, tem como propósito difundir a Libras e Cultura Surda, através de trocas de experiências, oficinas e espaços interativos à população possibilitando uma convivência e proximidade de cidadãos brasileiros que ainda continuam segregados e expropriados do exercício de sua cidadania.
O sucesso do evento “Uma Viagem ao Mundo da Libras(1) - Perspectivas de Novos Olhares pela Comunidade Universitária – primeira edição –“ promovido pelo Projeto “Diálogos de Inclusão” em 24 de abril de 2013, em comemoração aos 12 anos de oficialização da Libras, tem até hoje repercussões positivas junto a comunidade surda e ouvinte de Belo Horizonte e em vários municípios mineiros.
Fontes: https://www.facebook.com/UFMG

COMO CONVERSAR COM ALGUÉM QUE USA APARELHO AUDITIVO

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Essa semana recebi um email muito bacana de uma professora preocupada com os alunos usuários de aparelhos auditivos e que são oralizados, ou seja, que usam a fala como meio de comunicação. As dicas que vou apresentar aqui são baseadas em alguns anos de experiência com pacientes e uma pesquisinha básica na internet é claro ( #aprendendosempre) …
Antes de tudo, gosto de deixar alguns pontos bem claros para meus pacientes…
• Aparelho auditivo não é um ouvido novo – pode ser meio óbvio escrever isso mas sempre reforço essa mensagem. Por mais cara e sofisticada que seja uma prótese auditiva,  ela nunca substituirá nossa milagrosa natureza, ou seja, um ouvido normal sempre será melhor que um com aparelho auditivo na maioria das situações. Mas como assim nas maioria das situações? Então há situações em que ouvir com aparelho auditivo é melhor que ter audição normal? Sim! Mas temos que considerar várias coisas: o ambiente deve ser ruidoso, o aparelho auditivo deve ter um microfone direcional ultra-mega-power sofisticado  (e cá entre nós somente os aparelhos auditivos top de linha tem isso) e quem fala deve estar na frente do usuário a menos de 1 metro de distância. Bastante coisa.. então fica a mensagem ouvido normal é melhor que ouvido com aparelho auditivo. Sempre brinco com as palavras: aparelho auditivo é uma prótese e o próprio nome já diz tudo “PRÓTESE” e não é um ouvido biônico.
Pessoas normais olham para a boca do outro quando conversam – sim! Isso é normal e ajuda muito! Faça o teste você mesmo. Comece a conversar com alguém que tenha audição normal e de repente (disfarçadamente) fique numa posição que a sua boca fique encoberta – atrás de um vaso por exemplo. Você vai se divertir vendo a cara da outra pessoa tentando desviar do obstáculo para enxergar sua boca.
Quando estamos cansados ou doentes nosso entendimento piora – essa é uma grande verdade!
Mas vamos ao que interessa! Seguem  algumas dicas:
Solicite a atenção do usuário de aparelho auditivo – Antes de começar a falar chame o usuário pelo nome ou até mesmo toque nele para chamar a atenção para você. Esse gesto simples já prepara a atenção do usuário para a conversa. Ele vai entender que precisa prestar a atenção em você e não vai perder o início da conversa.
Mantenha o contato visual –  Olhe para o usuário e utilize sua expressão facial. Isso vai ajudar no contexto…vai dar pistas se o que você está falando é bom, ruim , sério, triste, etc…
Não cubra seu rosto – Quando você estiver falando mantenha suas mãos longe do rosto. E se você for fumante, nunca fale com o cigarro na boca ou chicletes, isso atrapalha a produção da fala alterando a nitidez. Presença de bigode pode dificultar a nitidez da fala também.Vale a pena dizer que quanto mais iluminado o lugar que você estiver, melhor é claro ( mais pistas ficarão disponíveis)! Agora você percebeu o quanto é difícil falar da sala e querer que o usuário te entenda estando num outro cômodo da casa?
Fale claro e na intensidade normal – Por favor não grite! Isso só atrapalha pois distorce as palavras. Não fale nem muito rápido, nem muito devagar – fale normalmente, no ritmo normal e de frente! O segredo é falar com pausas para dar tempo para que a outra pessoa processe a informação.
Não repita a frase se o usuário de aparelho auditivo não entendeu – Reformule a frase, ou seja, fale de outra maneira. Vai ficar mais fácil para ele entender pois vai pegar algumas pistas da primeira frase e juntar com a segunda frase reformulada.
Fuja do barulho – Tente sempre conversar num local mais silencioso. Desligue o rádio, TV, tudo que estiver competindo com a sua fala. Quando for a um restaurante ou festa, procure ficar distante da área de som, cozinha e bar pois esses ruídos podem atrapalhar. Afinal você não sabe qual a tecnologia do aparelho auditivo do interlocutor e o redutor de ruído pode não ser muito bom ou estar bem regulado…
Pergunte para o usuário se ele tem preferência de lado para você falar – Muitas vezes o paciente tem um ouvido que escuta melhor e prefere que o interlocutor fique daquele lado.
Não mude de assunto de repente – Se você precisa mudar de assunto, faça uma pausa e use uma introdução do tipo… ” Mudando de assunto, blablabla…”. Isso vai garantir que ninguém fique boiando…
Espero que essas dicas sejam bem úteis! :)
Fonte:http://naoescuto.com/

FONES DE OUVIDO NO ÚLTIMO VOLUME HOJE, APARELHO AUDITIVO AMANHÃ


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Olhem só essa campanha veiculada nos Estados Unidos. Achei sensacional, pois uma imagem fala mais do que mil palavras, certo? Mesmo com tudo o que se publica sobre a prevenção da perda auditiva, a maioria das pessoas não está nem aí, tem aquela atitude de ‘isso nunca vai acontecer comigo‘ e continua com os fones de ouvido no volume máximo.
 A perda auditiva é uma epidemia mundial. Antigamente, a surdez estava quase que totalmente relacionada à velhice, mas hoje ela se relaciona com a juventude numa velocidade impressionante. Por isso, fica o apelo: teste a sua audição, faça uma audiometria. E nunca, jamais, use seus fones de ouvido no volume máximo e nem por horas a fio. A nossa audição é sensível e nossas células ciliadas (ainda) não se regeneram!
Alguns fatos…
  • 15% da população americana com idade entre 20-69 anos tem perda auditiva induzida por ruído;
  • 1 em cada 8 pessoas acima de 12 anos tem algum grau de perda auditiva nos Estados Unidos;
  • 30 milhões de americanos são expostos a níveis perigosos de ruído no trabalho e acabam com algum grau de perda auditiva;
  • de todas as causas da perda auditiva, a mais fácil de prevenir é a causada por exposição prolongada ao ruído;
  • a perda auditiva vem sendo relacionada com demência, declínio cognitivo, depressão e doenças cardíacas.
  • Fonte:NYC.com

CRIAR UMA CRIANÇA SURDA FAZ O MUNDO SOAR DIFERENTE

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Quando descobri que meu filho não podia ouvir, percebi que na verdade era eu que não estava, de fato, escutando.

Antes que meu filho mais novo, Alex, fizesse dois anos, nós descobrimos que ele tinha uma perda auditiva significativa que tendia a piorar. Algumas semanas mais tarde, me vi no ginásio da escola que meus outros dois filhos frequentavam. Estive nesse ginásio dezenas de vezes para vários eventos – aplaudindo e torcendo, conversando com outros pais e então seguindo em frente com o resto do meu dia.  Nesta manhã, minha rotina foi abalada. O barulho das crianças ecoou das arquibancadas. Quando as crianças quietas pegavam o microfone era difícil ouvi-las.Tudo isso era normal, mas eu nunca tinha notado antes. Agora, eu estava ouvindo o mundo de um jeito diferente, imaginando-o através dos ouvidos – e dos aparelhos auditivos – do Alex, que um dia poderia ser um estudante aqui. Ter um filho surdo, eu percebi, iria me ensinar a ouvir.
Uma vez que comecei a ouvir, comecei a aprender. A pesquisa veio naturalmente – sou jornalista – e se tornou o meu mecanismo de enfrentamento. Através de livros, conferências e conversas com todos os especialistas possíveis, comecei a entender o poder do som – como a fala dos pais, dos cuidadores e dos professores molda a linguagem falada de uma criança; e então, como a linguagem falada de uma criança a ajuda a aprender a ler. Eu também vi e ouvi mais claramente os efeitos nocivos do alter ego do som, o barulho – a indesejada cacofonia do nosso mundo industrial, ou efeito amplificado de várias pessoas falando ao mesmo tempo, ou a música muito alta e invasiva.
O que mais me impressionou foi o que o som não importa muito para as crianças ouvintes, como meus dois filhos mais velhos. A partir do minuto em que nasce, cada experiência que uma criança tem está sendo gravada pelo seu cérebro. O som, ou a ausência dele, é parte desta experiência. Os neurônios fazem conexões uns com os outros, ou não; o sistema auditivo se desenvolve, ou não, baseado nessa experiência. O som é essencial para qualquer um que esteja aprendendo a falar e ouvir – e isso inclui todas as crianças ouvintes bem como as totalmente surdas e as que usam aparelhos auditivos e implantes cocleares, que enviam sinais sonoros diretamente para o nervo auditivo.
Antes que descobríssemos que o Alex não podia ouvir, ele estava usando todos os sinais visuais disponívels – sorrisos e caretas, mãos balançando, dedos apontando – para que seu mundo fizesse sentido. Por um tempo, ele compensou bem o suficiente para nos deixar achar que ele ouvia, mas não conseguiu mais uma vez que seus colegas começaram a falar.
Tanto a quantidade quanto a qualidade das palavras que as crianças ouvem em seus primeiros anos de vida afetam o desenvolvimento da sua linguagem. Com o passar do tempo, como as crianças vão tendo mais experiências auditivas, o processamento auditivo nos seus cérebros acelera e se torna mais eficiente. A repetição, o ritmo, a poesia, a música e até o Dr.Seuss ajudam as crianças a aprender a língua ao fazê-las ouvir por padrões. Essa prática de escuta em seguida forja as redes neurais necessárias para a leitura porque a capacidade de fazer com o que se ouve faça sentido e quebrar a fala em sílabas e fonemas é a base da leitura. Como uma criança reage ao som – o quão eficientemente seu cérebro processa o som – no primeiro dia do jardim de infância está relacionada com quantas palavras por minuto uma criança será capaz de ler na quarta série. Isso mostra que os problemas com o processamento do som são o cerne da maioria dos problemas de leitura. Por outro lado, crianças que lêem bem construíram fortes circuitos cerebrais que conectam audição, visão e linguagem.
É importante notar que se uma criança surda crescer usando a língua de sinais, ela não vai precisar do som porque seu mundo é visual. A língua de sinais, se for a primeira língua, se fixa no cérebro nas mesmas áreas em que a língua oral o faz naqueles que aprenderam a falar. Já a leitura é outra questão.Aqueles que têm a língua de sinais como primeira língua aprendem a ler no que para eles é considerado uma segunda língua e historicamente têm tido muito mais problemas com a leitura do que seus pares ouvintes.
Quando o Alex começou a frequentar a escola com seus irmãos ele estava usando aparelho auditivo num ouvido e implante coclear no outro. Descobriu-se que pequenas estratégias pensadas para melhorar o ambiente da sala de aula para ele beneficiaram a todos. Depois que ensinamos o Alex a educadamente pedir que seus colegas falassem mais alto ou repetissem algo, o ambiente ficou cheio de crianças fazendo o mesmo pois ninguém conseguia ouvir o que as crianças tímidas sussurravam. Nenhuma das crianças na classe dele da primeira série ouviu a tarefa de matemática porque o barulho do ar condicionado parecia uma batedeira. Trocar aquele velho aparelho ajudou 20 crianças, e não apenas uma. O mesmo valeu para os carpetes e cortinas e para a idéia de cobrir as pernas de metal das cadeiras. De acordo com a Acoustical Society of America, os níveis de ruído em muitas salas de aula são tão altos que aqueles com audição normal conseguem ouvir apenas 75% das palavras lidas de uma lista.
Outra coisa aconteceu. As necessidades do Alex sutilmente mudaram algumas dinâmicas do grupo, encorajando um novo nível de atenção. Ouvintes não precisam olhar quando alguém está falando para entender o que dizem, mas surdos precisam. Embora o AASI e o IC do Alex permitissem que ele ouvisse sem olhar, ele se beneficia de pistas visuais, e na sala dele foi dada uma lição de língua de sinais americana a respeito da necessidade de contato visual. A coisa mais bonita a respeito de olhar para alguém enquanto a pessoa fala é que, em vez de parecer que está prestando atenção, você provavelmente está prestando atenção.
Prestar atenção importa num nível mais profundo. A capacidade de prestar atenção nas crianças se desenvolve com o tempo, assim como a linguagem. E como a linguagem, a atenção seletiva – do tipo que as crianças precisam em sala de aula – é afetada pela experiência. Com a prática você se torna melhor. Neurocientistas provaram que quando as crianças prestam atenção elas aprendem. Focando em algo específico – uma voz por vez ou seu livro em vez de seu amigo – resulta em maior resposta do cérebro, medida pela atividade elétrica mesmo em crianças tão pequenas quanto as de três anos. Essa resposta maior ajuda a construir redes entre os neurônios e treina o cérebro para aprender.
O Alex está agora na sexta série na mesma escola. Eu não posso mudar a acústica da cafeteria, mas na sala de aula, todo início de ano tratamos de relembrar os professores dele para que parem e escutem. Nós os encorajamos a amplificar o som, por exemplo, lembrando-os de olhar para os alunos em vez de olhar para o quadro, e para diminuir o ruído mantendo as portas sempre fechadas.
Em casa, os meninos costumam fazer o dever de casa na mesa da cozinha enquanto eu faço o jantar e ocasionalmente entrei em cena para oferecer sugestões ou fazer perguntas – muitas vezes sem deixar o que estava fervendo no fogão. Não faço mais isso. Desligo o rádio e calo meus filhos mais velhos e então me sento próxima ao Alex (ou qualquer um dos meus filhos que precise de ajuda) e dou a ele minha atenção total. Ele aprende melhor e eu aprendo mais sobre ele. Gostaria de nunca ter feito isso de modo diferente do que tenho feito.
Fonte: TIME Magazine